Lula lamenta que se recuse a defesa de Renan
Depois de almoçar, hoje, com o presidente de Benin, Boni Yaji, no Palácio do Itamaraty, Lula deu uma rápida entrevista e defendeu o encrencado aliado Renan Calheiros (PMDB-AL).
Examinemos o que ele disse:
* "O problema com o Renan não prejudicou em nada até agora. O Senado está votando tudo. Votou um monte de coisas semana passada".
Esse é o discurso de Renan, que o repete à exaustão. Renan diz que a vida corre normalmente no Senado apesar de ele responder a processo por quebra de decoro. É claro que nada corre normalmente ali. E a oposição já avisou que não votará mais nada sob a presidência de Renan. Se ela não recuar, de duas uma: ou não se vota mais nada mesmo ou Renan cede a presidência das sessões de votação ao seu vice Tião Viana (PT-AC).
* "Isso é um assunto que o Senado poderia ter resolvido em uma semana. Não resolveram. Não resolveram porque queriam criar caso. É o típico caso do quanto pior melhor".
O Senado só poderia ter resolvido o caso em uma semana se o tivesse arquivado. Se simplesmente não tivesse levado em conta a denúncia de que um lobista de empreiteira pagou despesas particulares de Renan. Era o que Renan queria - e, pelo jeito, era isso o que o Senado deveria ter feito, segundo Lula. Para que investigar Renan? Para descobrir que há rombos em suas contas? Que ele foi sócio secreto de um usineiro na compra de um jornal e de duas emissoras de rádio? Lula não via necessidade disso.
* "Não estamos nos mexendo [para escolher o sucessor de Renan na presidência do Senado]. Essa é uma questão do Senado. O que estou vendo pela imprensa é que o Renan apresenta documentos em sua defesa e não aceitam".
Como "não aceitam" documentos de defesa de Renan? O Conselho de Ética aceita tudo. Lula quis dizer que Renan se defende e que as pessoas põem em dúvida sua defesa. Se dependesse de Lula, a defesa de Renan não teria sido contestada - e o caso, a essa altura, estaria encerrado. Lula não está nem aí para que se julgue Renan com equilíbrio.
Ele quer a absolvição dele - seja Renan culpado ou não. É isso. E é muito simples.
Se é louvável que um presidente da República se comporte assim... Bem, isso é outra história.
Ricardo Noblat
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
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